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Histórico Escolar Imprimir

O significativo aumento da população e do comércio, ainda não era suficiente para o Estado ter a iniciativa própria de mandar construir uma escola em Presidente Prudente. A estação ferroviária havia sido inaugurada dia 19 de janeiro de 1919, e não tratava-se mais de um povoado. Agora eram cidade e município, cercados de floresta por todos os lados.

Francisco de Paula Goulart viajou a São Paulo e lá conversou com a Diretoria Geral de Instrução Pública do Estado. Fez um relato da expansão urbana, comprometeu-se doar o terreno e comprar os equipamentos para a instalação da escola. Voltou com a promessa de atendimento do pedido, o que de fato ocorreu ainda em 1920, com a construção das Escolas Reunidas, dotadas de quatro salas de aula, e capacidade para 180 alunos. Em 1929, foram construídas outras Escolas Reunidas na Vila Marcondes. Em 1932, o Estado deu-lhes a denominação de Segundo Grupo Escolar. No ano de 1935, foi erguido o Terceiro Grupo Escolar, na Rua Newton Prado, hoje Felício Tarabay.

Em fevereiro de 1938, o governo extinguiu esse estabelecimento e o Segundo Grupo, por meio de decreto. Na seqüência juntou as salas de aulas às do Primeiro Grupo, que no mês de maio daquele ano, recebeu prédio próprio, com o nome de Grupo Escolar de Presidente Prudente e a estrutura que a população desejava. O Decreto 19.540, de 5 de julho de 1950, alterou o nome do educandário, para o de Grupo Escolar "Professor Adolpho Arruda Mello".

Somente em 1925, surgiu o primeiro grupo escolar e as quatro salas foram incorporadas a ele. Eram agora ao todo, oito salas. Os moradores não estavam satisfeitos com o padrão de ensino, considerando-o atrasado, aliando a isto, a precariedade do prédio, um desajeitado barracão de tábuas.

Eles iniciaram ampla campanha, dispostos a convencer o governo do Estado a construir um prédio de linhas modernas e contratar professores com melhor experiência. Foram parar num imóvel, como o anterior, alugado que ficava na esquina das atuais avenidas Washington Luiz e Coronel José Soares Marcondes.

Anterior a esse movimento todo, em que Presidente Prudente ia sendo contemplada com estrutura educacional adequada ao seu progresso, deu-se outra jornada, esta, para instalação de uma Escola Normal. Em 1930, o grupo fundou o Colégio São Paulo e apesar da perspectiva existente, o curso Normal não pôde ser solidificado naquele ano. Foi instalado, o ensino ministrado, e não demorou para ser suspenso, devido a falta de recursos humanos e materiais, o que era comum na época. Não existiam professores para as disciplinas e este significava o maior problema de Boulanger Uchoa.

Em 1931, um ano após a criação do Ginásio São Paulo, outras pessoas fundaram o Instituto Comercial de Presidente Prudente, também de nível profissionalizante. Iniciou-se um curso comercial, duração de dois anos, e outro de escrituração mercantil, de um ano. Por razões nunca explicadas exatamente, a escola foi extinta menos de um ano depois. O estabelecimento do grupo de Boulanger Uchoa levava uma designação paralela, a de Academia de Comércio. Nesse caso, o nome completo, ficava assim: Academia de Comércio Ginásio São Paulo. Sua finalidade estava na formação de contador, o que executa a escrituração de uma organização comercial, conhecido também como guarda-livros, mais uma profissão bastante almejada na época. Faltava ser feita a chamada Inspeção Preliminar no estabelecimento, uma medida ambicionada por sua direção. Isto só ocorreria em 1937, mas com uma vantagem: o Ministério da Educação nomeou Inspetor do Ensino Secundário, o advogado de Presidente Prudente, João Franco de Godoy.

O Ginásio, ou Academia de Comércio Ginásio São Paulo, alcançou sua fase mais próspera em 1942, transcorridos 12 anos da sua fundação. No entanto, a euforia começou a diminuir no mesmo ano, com a inauguração do Ginásio do Estado.

Aquiko Nishi, nova proprietária do Ginásio São Paulo recorreu à imprensa, divulgando os benefícios que este oferecia aos seus alunos. Reconheceu a inviabilidade de manter a escola e resolveram fechá-la, mas um grupo de professores se propôs arrendá-la. Aquiko Nishi concordou com a proposta e a direção foi entregue ao professor Wladimir Bittencourt de Carvalho que ficou no cargo um ano, saindo para assumir esta função no Ginásio do Estado, por nomeação do governo.

O Ginásio São Paulo recuperou-se financeiramente. O aumento da população trazia também à cidade, famílias que desejavam oferecer aos filhos, qualidade de ensino do melhor padrão, preferindo pagar os seus estudos. As salas de aula do estabelecimento voltaram a ser ocupadas em todos os seus espaços e além de diretor, José Machado de Almeida exercia o papel de relações públicas, divulgando a escola pessoalmente. A Escola Normal foi uma conquista extraordinária do Ginásio São Paulo, cuja diretoria se esforçava para obter o reconhecimento da Escola Normal São Paulo, batismo dado ao novo estabelecimento.

Outro grupo de empreendedores resolveu seguir o exemplo daquele que fundou o Ginásio São Paulo. Iniciava ali, entre uma e outra reunião, em 1941, o projeto da segunda escola profissionalizante de Presidente Prudente e de caráter particular. A idéia partiu de José Leite Carvalhães, um professor que recebeu do Governo a missão de dirigir o Ginásio do Estado. Mudou-se, então, de São Paulo, para a cidade que já ostentava a honrosa insígnia de Capital da Alta Sorocabana, com vários municípios.

Seria uma escola do mais alto nível de eficiência, previu Carvalhaes, que estava há somente um ano em Presidente Prudente. O Professor José Leite Carvalhaes se entusiasmava com o que ele assistia, e ao mesmo tempo, notava que as salas de aulas disponíveis do Colégio São Paulo, eram muito disputadas por candidatos a alunos. Tornou irreversível o plano de construir uma escola técnica, e até antecipou a escolha do nome: Academia de Comércio Joaquim Murtinho, homenagem ao médico ex-ministro da Indústria, em 1897, e da Fazenda, em 1898 e 1902. José Leite Carvalhães convidou um pequeno grupo de amigos para assessorá-lo na execução do projeto. Nesse grupo existiam advogado, médico e jornalista, o que favorecia os contatos oficiais relacionados ao projeto.

Em solenidade no salão nobre da Prefeitura Municipal, dia 5 de janeiro de 1942 foi fundada a Academia de Comércio Joaquim Murtinho. Na falta de um prédio melhor, com os espaços necessários à instalação do estabelecimento, foi alugado um barracão na antiga avenida Antônio Prado, atualmente Washington Luiz. Sem conforto, porém, aceitável no momento. Finda a tramitação do processo para fundação da Academia, o grupo apressou-se em eleger a primeira diretoria, que ficou constituída assim: diretor, José Leite Carvalhaes; vice-diretor, Wilson Alves de Carvalho; secretária, senhora Dida Costa Leite Carvalhaes.

A Academia Dr. Joaquim Murtinho mudou para sua sede definitiva, na rua Desbravador Ceará, esquina com a 15 de Novembro. Precisava de reformas, a mais urgente, o aspecto da fachada que deveria ser bastante atrativa. Nesse caso, o apoio veio de João Peretti, Cícero de Campos Gurgel e Osvaldo Linardi, que possuíam filhos na escola técnica. Os cursos gerais eram Admissão, Básico e Técnico em Contabilidade. Exceção de Admissão, que preparava candidatos ao Ginásio do Estado, os outros eram ministrados no período noturno.